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 O transtorno bipolar e as faces do humor


 O transtorno afetivo bipolar é uma doença grave, caracterizada por alterações no humor e nos níveis de atividade do paciente. Com episódios alternados de depressão e de mania, o problema traz enorme impacto à qualidade de vida do doente, além de trazer prejuízos ao relacionamento com a família.

 Recorrente na população mundial, o transtorno causa perdas significativas na vida dos portadores. Estudos científicos revelam que, entre as possíveis causas da doença, podem estar fatores genéticos e sociais, sexo, etnia, antecedentes pessoais e familiares e histórico médico. Não se conhece uma causa, mas, sim, fatores que precipitam o surgimento do transtorno, entre eles traumas ou acontecimentos fortes, como o fim de um casamento ou a morte de pessoas queridas.

 A complexidade e a variedade dos sintomas atrasam e confundem o diagnóstico da doença, resultando no atraso do tratamento específico. Muitas vezes, pacientes com transtorno bipolar são erroneamente diagnosticados e tratados como esquizofrênicos, devido aos episódios psicóticos. Em outras, quando o paciente passa pela fase depressiva do transtorno, é tratado como deprimido, devido ao não reconhecimento de sintomas como irritabilidade, impulsividade e hiperatividade.

 É importante salientar que o início da doença se manifesta, geralmente, no fim da adolescência e no início da idade adulta, mas o primeiro episódio pode acontecer em qualquer idade, da infância à velhice.

 Na maioria das vezes, é possível notar o transtorno devido ao sofrimento que o paciente passa a ter nos momentos de crise, pois há prejuízos na escola, no trabalho, nas atividades sociais e de lazer e na vida familiar.

 Na prática, observa-se que os pacientes tendem a ter mais crises de um tipo e poucas do outro. Há pessoas bipolares que nunca passaram por fases depressivas, e outras que só tiveram uma fase maníaca, enquanto as depressivas foram numerosas.

 Durante a fase maníaca, o estado de humor do paciente fica elevado, podendo passar de uma alegria contagiante a uma tristeza profunda.  Simultaneamente, o bipolar apresenta sintomas como excitação, elevação da autoestima e sentimentos de grandiosidade. Já o humor depressivo é praticamente o oposto. O paciente fica com a autoestima baixa, se sente inferior às outras pessoas e tem a sensação constante de cansaço.

 Os sintomas depressivos são predominantes: mais frequentes que os de mania e mais comuns que os sintomas mistos. O episódio depressivo é também responsável pela maior carga da doença, com alto índice de pacientes exibindo tendência ao suicídio.

 A mortalidade dos portadores de transtorno bipolar é elevada, e a causa mais frequente de morte, principalmente entre os jovens, é o suicídio. Estima-se que até 50% dos portadores tentam o suicídio ao menos uma vez em suas vidas e 15% efetivamente o cometem.  

 O transtorno bipolar está associado a altas taxas de recorrência e recaída, por isso, é extremamente importante a adesão do paciente ao tratamento sugerido, para que os sintomas sejam eliminados ou, pelo menos, para que não voltem a ocorrer episódios agudos. O objetivo principal do especialista que trata esses pacientes é tentar reduzir os fatores que desestabilizam o humor do bipolar, embora a doença não tenha cura.

 A ideia de que o uso de psicofármacos por si só poderia ser suficiente para lidar com essa doença não tem se confirmado.  Portanto, o tratamento não se limita apenas à administração de medicamentos e, sim, ao gerenciamento de uma doença complexa, que abarca fatores biológicos, psicológicos e sociais.

 Já existem muitas evidências de que a forma mais benéfica de se tratar os quadros psiquiátricos é a associação entre farmacoterapia e tratamento psiquiátrico.

 

Joseane Zamprogno de Oliveira é psicóloga do Hospital Metropolitano