Engasgo de Idoso pode Indicar Problema mais Sério

 Você já deve ter percebido que pessoas mais velhas engasgam facilmente. Isso pode ser uma manifestação comum do envelhecimento dos órgãos e músculos envolvidos na deglutição (transporte da saliva ou do bolo alimentar da boca até o estômago). Mas se o engasgo for constante, acompanhado de tosse ou em conjunto com alguma outra alteração, ele pode ser sinal de algum problema sério.

 

 O engasgo ou tosse durante a deglutição pode ser um sinal de uma doença de base, como mal de Parkinson, derrame, traumatismo crânio-encefálico, doença de Alzheimer e doenças neuromusculares.

 

 Quando o idoso apresenta frequentes pigarros, como se tentasse "limpar" a garganta, tosse no momento das refeições, recusa alimentar, perda de peso ou dificuldade para engolir, é hora de procurar um médico e diagnosticar a causa do problema. O profissional capacitado para isso é o fonoaudiólogo especialista em disfagia, o distúrbio da deglutição.

 

 Há uma série de características do envelhecimento que podem ser consideradas normais pela população, mas que, para o idoso, podem causar situações de engasgo. É o caso de próteses mal adaptadas, que podem provocar dor e ferimentos na gengiva; perda de dentes, o que dificulta a mastigação; mudanças de hábitos alimentares; presença de restos de comida na boca depois da refeição; alteração da postura cervical, e movimentos repetidos e incoordenados de língua.

 

  Por outro lado, se não houver nenhuma doença de base ocasionando o engasgo, ainda assim, é preciso resolver o problema e tratá-lo. O engasgo, ao mesmo tempo em que pode ser consequência de alguma patologia, pode ser causa de outras, como a pneumonia. Isso pode acontecer porque nossos sistemas respiratório e digestivo são próximos, devendo a respiração parar para que o alimento não entre nos órgãos do sistema respiratório. No idoso, que não consegue realizar esse processo de forma sincronizada por conta de sua musculatura fraca, o alimento pode “cair” no aparelho respiratório.

 

 A boa notícia é que existe um exame capaz de detectar as dificuldades de deglutição. Trata-se da videofluoroscopia da deglutição ou videodeglutograma, em que o processo de alimentação do indivíduo é analisado. Avalia-se a funcionalidade da musculatura do sistema digestivo e o trajeto do alimento em quatro consistências: líquida, líquida-pastosa, pastosa e sólida. Isso serve para identificar em quê consistência é melhor para aquele idoso se alimentar. Além disso, o exame pode ser decisivo na escolha de uma via alternativa de alimentação, como a sonda nasoentérica ou a gastrostomia, em que ele se alimenta parte pela boca, parte pela sonda ou exclusivamente pela sonda.

 

 A boa notícia é que existe um exame capaz de detectar as dificuldades de deglutição. Trata-se da videofluoroscopia da deglutição ou videodeglutograma, em que o processo de alimentação do indivíduo é analisado. Avalia-se a funcionalidade da musculatura do sistema digestivo e o trajeto do alimento em quatro consistências: líquida, líquida-pastosa, pastosa e sólida. Isso serve para identificar em quê consistência é melhor para aquele idoso se alimentar. Além disso, o exame pode ser decisivo na escolha de uma via alternativa de alimentação, como a sonda nasoentérica ou a gastrostomia, em que ele se alimenta parte pela boca, parte pela sonda ou exclusivamente pela sonda.

 

 Saber por que acontece o engasgo é fundamental para garantir ao idoso qualidade de vida. Além disso, o processo de alimentação, além da característica nutricional, é também fator de integração, em virtude da socialização que as refeições em grupo representam.

Renata Lesqueves
Fonoaudióloga do Hospital Metropolitano